Podia ser mais uma estória história para anexar à longa lista dos filmes que já assisti numa sala escura contendo uma tela bem maior que a da TV da minha casa. Às vezes me incomodo quando as pessoas restringem o que é contado no cinema ao puro entretenimento. Não gosto dos cinéfilos passivos que gostam de acumular o número de filmes assistidos e nem das pessoas que insistem em limitar os filmes à ficção. Daí a confusão proposital do uso dos termos "estória" e "história" do início desta postagem. A verdade é que a fronteira entre história real (história) e história inventada (estória) me parece fluida demais para tornar funcional a adoção dos dois vocábulos. Todo mundo sabe – ou deveria saber – que a história, bem espremida, é cheia de “estórias”. E vice-versa. Acho mais inteligente deixar a distinção a cargo do contexto. Dito isso, retomo minha linha de pensamento para tornar real o que eu vim escrever aqui hoje.
Não foi uma história qualquer. Enquanto os créditos de "Comer, Rezar e Amar" subiam fiquei esperando o fim da música que abrilhantava a trilha sonora. Uma batida bacana, cheia de ritmo. O filme acabou, e eu voltei pra casa. Até tinha pensado em procurar as músicas que compuseram a trilha sonora do filme, mas me esqueci. Nem sei exatamente porque eu me esqueci disso. Talvez tenha me esquecido da mesma forma que me esqueço de muitas outras coisas que penso. Alguns dos meus pensamentos se vão quando surgem outros, aparentemente, com maior prioridade. A prioridade daquele momento era refletir sobre a história do filme. Até hoje a tal história faz muito sentido para mim. Aliás, a história do filme parece me trazer mais sentido hoje do que antes.
Muito mais do que descobrir o verdadeiro prazer da gastronomia na Itália, o poder da oração na Índia, e a paz interior de um verdadeiro amor em Bali, o filme retrata que há sim mais de uma maneira de levar a vida. E era exatamente sobre isso que eu vinha pensando na época que assisti ao filme. Hoje, quase um ano depois, tenho essa ideia bem mais amadurecida, e por isso disse que o filme me traz mais sentido atualmente. Não foi difícil encontrar relações entre os dramas que Julia Robert vivia na telona e as dúvidas que me atormentaram durante estes longos meses. Assim como a protagonista também passei por momentos cruéis de questionamento. Apesar de ser um pessoa aparentemente normal e com uma vida boa também fiquei perdido, também senti a ausência da liberdade e do livre arbítrio, também fiquei muito tempo na zona de desconforto (até me sinto tolo por isso!), e pensei sobre o que eu buscava antes e o que eu busco para minha vida hoje. Cheguei a algumas conclusões talvez bem drásticas, mas importantes. Por um instante, a minha busca pelo auto-conhecimento parecia ter chegado ao fim já que muitos medos velhos já são encarados como verdades quaisquer. Entretanto, muitas idéias, sentimentos e desejos ainda persistem (e tenho certeza que sempre persistirão). Também tenho novos medos, estes talvez muito mais nobres que os anteriores. Mas o mais importante deste período de auto-conhecimento foi que eu aprendi relativizar as dores e amplificar os bons sentimentos vividos, bem à moda da protagonista na telona.
Ontem reassisti ao trailer de "Comer, Rezar e Amar", e a música com batida bacana e cheia de ritmo dos créditos do filme aguçou o meu desejo de saber mais sobre ela. Engraçado como a vida segue e alguns pensamentos são retomados de forma tão vívidos. O desejo de ouvir a música completa era exatamente o mesmo desejo anseado outrora na sala escura com a telona. De ontem até hoje já ouvi "Dog Days are Over" várias vezes.
A letra da música cuja interprete (Florence) eu até então desconhecia vem a calhar com a mensagem do filme e a minha análise anterior, uma vez que a letra trata de mudanças, da busca de felicidade, da fuga dos medos e dos desejos renunciados que insistem em nos atentar!
Nota: Florence + The Machine tem um único álbum lançado em 2010 intitulado "Between the two lungs". Começarei a escultar o álbum agora. E lançam o segundo em Setembro. Concusão: no mês que vem eu tenho mais um álbum para ouvir!
